Todos os dias, o noticiário matutino da RTP lança no ar o quadro “O Bom Por tuguês”; a seguir, abre-se a janela para o repórter apresentar o desafio linguístico do dia, em direto das ruas de Lisboa, car-re-gan-do no sotaque:
– Senhor, peço desculpas, faz favor, mas como é que acha que se escreve indiscritível; com “e” ou com “i”?
– Indiscritível? In-dis-cri-tí-vel! Penso que é com “i”.
– Com “i” ou “e”? continua a estagiária.
– Talvez seja mesmo com ”e”. In-dis-cri-tí-vel. Ou será com “i”? Já não sei.
Corta para imagem direto do estúdio; a âncora do telejornal também carrega na pronúncia e dá a solução para “O Bom Português”:
– Indiscritível escreve-se com “e”; diz-se in-dis-cri-tí-vel e é mesmo com “e”. Parabéns aos acertadores; tenham um bom dia para si e até amanhã.
No dia seguinte, pelas mesmas horas, em outro lugar da cidade, a RTP retorna às ruas para testar o conhecimento do idioma pelas pessoas. O repórter, desta vez é um profissional mais experiente, porém com a pronúncia tanto ou ainda mais carregada, antes mesmo de estar em direto já amealhou meia dúzia de transeuntes a caminho do trabalho:
– Olá! Temos aqui um grupo de pessoas muito alegres, apesar do clima, estamos com 8ºC e falando em direto para o jornal das sete da RTP. Atentos para o teste de hoje. É 1, 2 e 3! Diga-me lá o senhor, que me parece o mais velho, como é que se escreve a palavra curação; com “u” ou com “o”?
– Ora, cu-ra-ção? Tenho 90% de certeza que se escreve com “o”.
– Está certo disso? instiga o repórter.
– Certíssimo!
– Mas, espera lá. Há alguém que pensa diferente! Diga...
– Curação leva “u”, pois – fala um exaltado. Senão, dizia-se coração; mas, sendo cu-ra-ção que se diz, escreve-se com “u”.
A resposta certa vem de novo do estúdio:
–
Curação escre ve-se com “o”. Assim, assim:
Cu-ra-ção, com “o”.
Passam-se os dias, as semanas, o mês, e ao final pagam-lhes salários! Vai ver o quadro ainda ganha o Emmy Awards.
jvictor
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