Coluna Fedro I/34 - Freguesia cresce e aquece PIB nacional
Notícias da família “et alii” escritas a quatro mãos by Fedro
RIO DE JANEIRO – Nunca, na história desta Cidade, outro lugar experimentou o intenso frenesi que hoje se instalou in Freguesia District. Tudo acontece sob o beneplácito da Igreja de Nossa Senhora da Pena, erigida em 1633 sobre um rochedo de 160 m de altu-ra, de onde se desnuda vasto horizonte da Baixada de Jacarepaguá. Parte de um amplo sistema de defesa da região mandada construir pelo Marquês do Lavradio, em 1770, a fim de que qualquer força invasora desembarcada entre a Ponta da Gávea e a Barra de Guaratiba fosse prontamente rechaçada, soldados e canhões foram instalados no pátio externo da igreja, para que o local funcionasse como atalaia em defesa da Baixada. Cúmplice desse passado glorioso, The Freguesia, constituído bairro independente em 1993 - até então, fazia parte de Jacarepaguá – ensaiou vertiginoso progresso na estru-tura urbana após a emancipação.
Os sites de busca por “Freguesia” dizem que o bairro é a oitava maravilha: segundo pólo econômico da região – só perde para a Taquara; terceiro centro imobiliário da Baixada – só perde para Barra da Tijuca e Recreio. Nas redes sociais os desocupados de plantão dedicam-lhe enfáticos elogios: “- Freguesia é a Zona Sul da West Zone”. O entusiasmo nas ruas é ainda maior: os louvores pelos atributos do lugar, máxime a pri-vilegiada localização – acesso direto à Tijuca, ao Centro, à Barra, ao Aeroporto, etc - são unânimes na voz das imobiliárias:
- Depois de Manhattan, Freguesia é o bairro mais procurado pelas pessoas para morar – disse um corretor de imóveis com 35 anos de experiência no mercado internacional. Lá eles têm o Hudson River; aqui temos The Sangrador e Lake Camorim.
Num boteco da Geminiano Góis Street – perto do Promenade Condominium - é pos-sível pagar módicos R$1,80 pelo copo de mate gelado, pasmem! O próprio dono do ne-gócio é quem lhe serve e logo, logo puxa conversa e fica seu amigo. Perguntei qual a razão de a Freguesia estar com todo esse borogodó:
- Pode ser pela Copa, as Olimpíadas, eu sei lá o que mais vem por aí! O que vejo todo dia é edifício novo, outro e mais outro, até parece que todo mundo quer vir morar pra cá. Isto aqui tornou-se fashion, it’s up-to-date. Se pretende vir, venha já marcar o seu espaço, viver de novo a febre do ouro da Califór-nia. Dê-me o copo vazio que jogo cá dentro no lixo, faz favor.
Um senhor, cuja aparência remetia à época do bonde, da Maria-Fumaça, das chá-caras e granjas que delineavam a fisionomia agrícola da região até 1960, acordou, er-gueu a cabeça da mesa e profetizou:
- Ou damos um basta nessa imigração desenfreada, ou breve não haverá onde beber e relaxar em sossego. Por mim, os canhões voltavam já pro alto da Pena. Let’s face it!
Os canhões do Marquês já não seriam eficazes para distinguir nativos de forastei-ros, numa sociedade exposta à miscigenação durante séculos. O que dizer, por exem-plo, do mulherio, que, embarcado na moda da grife e do shortinho, circula de igual para igual pelas galerias comerciais do Freguesia District? Quem é quem, afinal, nesse cenário emergente de classe média e média-alta?
Pois o dorminhoco do boteco se cuide e se habitue à vocação pólo de The Freguesia, ou perderá o sono. Centros comerciais como Passarela de Jacarepaguá, Main Street, Unicenter, Freguesia Center etc, e dois shoppings, o Quality Shopping e o Rio Shopping, aí incluídos cinemas e teatros, já não satisfazem a demanda de consumo e de lazer. Pelos corredores circulam rumores de que a Macy’s inaugura filial in Freguesia até o fim do ano. O Wal-Mart é o próximo. Na mesma linha de direção seguem os Mercados Assaí, Mundial, Prezunic, Vianense, Armazém Urbano, Hortifruti Freguesia, Frutas da Freguesia e Freguesia Frutas & Cia, todos com planos de expansão. Tal entusiasmo anima o mercado para novos empreendimentos: no segmento comercial vêm por aí o Target Offices & Mall, o 3R Offices, o Gênesis Business & Services e o Connection Offi-ces; na área residencial estão em construção o Freedom Club Residence, o Grand Ara-guaia, o Palazzo Imperial, além de outros.
Desfrutar um sistema tão agitado, exige contrapartida. A um indivíduo bem-criado que caminhava distraído na Três Rios Road, pedimos sugestão de lugar para comer. Morador do bairro há menos de um ano, ele se diz fã apaixonado pela cozinha local:
- Gosto muito do Maccheroni e da Toca da Traíra. Também indico as Pizzarias Papizzo e Fenomenal, os Restaurantes Rancho Verde, Mais Sushi, Siri, Spoleto, Koni, Baixo Ara-guaia, Churrascaria Tem Kilo, Bartekim Galetos, Carnes na Brasa, Espetto Carioca, Tio Frank - puxou o lenço do bolso, secou o suor do rosto e prosseguiu – No circuito Fre-guesia by Night recomendo Manoel & Juaquim, Bar do Adão, Botequim do Itahy e Revo-lution Pub.
Na Geremário Dantas Avenue, encontramos uma vovó que vinha de buscar o neto na escola. Ela concordou em falar sobre o que The Freguesia oferece na área da edu-cação:
- Assim de improviso... Instituto N. Sra da Piedade, Intellectus, Ponto de Ensino, Bahi-ense, Luiz de Camões, Colégio Ícaro, Primus, Garriga e Santa Mônica. Cursos de língua estrangeira: CNA, Cultura, Brasas, Wizard, Yes!, Centro Britãnico, Up Time, Number One, You Move, Fisk e Ibeu. Profissionalizantes: People, Microlins, SOS Computadores. Ensino superior: Faculdades Integradas, Faculdade Signorelli, Silva e Souza, Univercida-de, Estácio e Cândido Mendes. Preparatórios para concursos: Curso Damásio e Curso Maxx.
- Há diversas clínicas médicas, consultórios especializados, laboratórios, o Hospital Rios D’or, da Rede D'or e o Hospital Federal Cardoso Fontes.
De verdade, nem tudo são rosas in Freguesia. O preço que se paga pelo surto de progresso é alto. A uma mocinha que saía da aula de inglês na Cultura Inglesa, inda-guei:
- Please, how long does it take you to go to Barra da Tijuca?
- It depends – she said. If the weather is cloudy, it takes me about 15 minutes to go to Barra; but, if the weather clears up, it takes me at least 3 hours. God forbid!
Afiadíssima no inglês a menina, hem?


Comentários