As armas, as armas (X)
- Em Castelo de Vide, cidade fronteiriça com a Espanha, o povo preparava-se para a Enésima Feira Medieval, a acontecer dias 3, 4 e 5/9. Por todos os sítios da cidade, cartazes anunciavam a programação oficial: lutas, danças, aves de rapina, comidas típicas e muito mais. Muitas pessoas trabalhavam em grupos, cada qual com a sua atribuição, os velhos - a maioria - espiavam, conversavam, davam palpites, etc. Enquanto Memilia fotografava, acerquei-me duma equipa que era a responsável por montar uma catapulta. Um senhor com ares de supervisor era quem controlava os afazeres do grupo. O que pareceu-me muito engraçado é que os que estavam sob suas ordens, primeiro contestavam o que o supervisor mandava-lhes fazer, mas sempre cumpriam as ordens:
- O Alfredo - diz o capataz - tira daqui estas tábuas que já não servem pra nada.
- Pra alguma coisa hão de servir, pois - responde o malcriado Alfredo, enquanto abraça as tábuas e leva-as pralgum lugar.
- Ô Diogo - volta o capataz - corta-me cá este fio pela altura da janela.
- Tu sabes bem que lá não alcanço. E não vejo cá escada. Ah, já cá está, já cá está.
- Oh, Beatriz, tira-me daqui estes miudos. Vai com a canalha pra lá.
- Não vejo no que os miúdos estorvam, pois. Oh, Ze Antonio, oh João, andem pra cá que não os querem aqui. Andem, andem, pra já.
- Fernando, traz-me aqui o arco de serra - diz o capataz.
- Já lá não levo, porque faz-me falta por aqui - diz o Fernando, que de súbito, desce da escada e leva o arco de serra às mãos do capataz.
- Pronto, pronto, já está - diz o capataz ao "culega" que pregava tábuas. Já não é preciso mais.
- Ora - responde o "culega" - então como que queres? Tá bom, tá bom, tá bom, mais o que?
- Ali - aponta o capataz - és preciso ali, do outro lado.
- Pro outro lado não vou. Aquele sítio não é do Alberto? - e pega na escada e nas ferramentas e vai pregar tábuas do outro lado.
- Fernando, não me digas que já sais pro almoço - pergunta o capataz.
- Ora sim, sim, sim, que a mulher espera-me faz horas - mas nisso Fernando arrebanha as ferramentas e apresenta-se ao capataz. O que queres? Diz-me lá, diz-me lá o que precisas, que não tenho horas com mulheres.
- Rapaz pega-me daqui estas tábuas e carrega prali - diz o capataz ao Joaquim que vai passando.
- Ora pois, não vês que trago as mãos cheias homem? Se calha levo as tábuas depois - mas o Joaquim ajoelha-se e arrebanha todas as tábuas dum só golpe e as leva pra onde o capataz pediu.
Moral da história: todo mundo reclama mas todo mundo faz o que o capataz manda.
- O Alfredo - diz o capataz - tira daqui estas tábuas que já não servem pra nada.
- Pra alguma coisa hão de servir, pois - responde o malcriado Alfredo, enquanto abraça as tábuas e leva-as pralgum lugar.
- Ô Diogo - volta o capataz - corta-me cá este fio pela altura da janela.
- Tu sabes bem que lá não alcanço. E não vejo cá escada. Ah, já cá está, já cá está.
- Oh, Beatriz, tira-me daqui estes miudos. Vai com a canalha pra lá.
- Não vejo no que os miúdos estorvam, pois. Oh, Ze Antonio, oh João, andem pra cá que não os querem aqui. Andem, andem, pra já.
- Fernando, traz-me aqui o arco de serra - diz o capataz.
- Já lá não levo, porque faz-me falta por aqui - diz o Fernando, que de súbito, desce da escada e leva o arco de serra às mãos do capataz.
- Pronto, pronto, já está - diz o capataz ao "culega" que pregava tábuas. Já não é preciso mais.
- Ora - responde o "culega" - então como que queres? Tá bom, tá bom, tá bom, mais o que?
- Ali - aponta o capataz - és preciso ali, do outro lado.
- Pro outro lado não vou. Aquele sítio não é do Alberto? - e pega na escada e nas ferramentas e vai pregar tábuas do outro lado.
- Fernando, não me digas que já sais pro almoço - pergunta o capataz.
- Ora sim, sim, sim, que a mulher espera-me faz horas - mas nisso Fernando arrebanha as ferramentas e apresenta-se ao capataz. O que queres? Diz-me lá, diz-me lá o que precisas, que não tenho horas com mulheres.
- Rapaz pega-me daqui estas tábuas e carrega prali - diz o capataz ao Joaquim que vai passando.
- Ora pois, não vês que trago as mãos cheias homem? Se calha levo as tábuas depois - mas o Joaquim ajoelha-se e arrebanha todas as tábuas dum só golpe e as leva pra onde o capataz pediu.
Moral da história: todo mundo reclama mas todo mundo faz o que o capataz manda.
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