As armas, as armas (VI)

- Sábado e domingo estive de folga. Agora, de volta ao batente, que os assuntos estão represados.

- Haviamos acabado de almoçar num restaurante familiar em Viseu, eu uma dourada com batatas cozidas, ela um arroz de pato mais batatas que filou do meu prato, quando ela, Memilia, perguntou à senhora que tirava a mesa, que também era a cozinheira, que por acaso era a doceira, que era a caixa, e que não por acaso era a dona do estabelecimento:

- A senhora sabe onde é Fail?

Fail é uma aldeia distante de Viseu 8 a 10 km, terra natal do falecido Tio Luís, que era tio de Dona Brasilina e de todos nós, um português forte pra caramba, 2 metros pra mais de altura, que emigrou para o Brasil, foi dono de padaria, e depois voltou pra Portugal, ainda solteirão, onde casou-se com Tia Lucinda, porque todo solteirão um dia entrega-se, não há remédio contra isso. E Memilia queria conhecer Tia Lucinda, então por isso precisava saber por onde se chegava a Fail.

E a senhora respondeu:

- Não senhora, não sei, desculpas.

Mas, imediatamente apelou para um senhor de bigodes, que a essa altura era quem tomava conta do caixa, que era provavelmente por acaso seu marido e sócio:

- Oh, Alberto, já ouviste falar de Fail?

- Fail? - perguntou assombrado o senhor Alberto - Fail não conheço. peço desculpas.

E nós já íamos saindo, depois de agradecer educadamente, é claro, quando o senhor Alberto pulou pra fora do balcão, tirou o avental, transfigurou-se, até pareceu-me que o avental atrapalhava-lhe o raciocínio:

- Espera aí - diz ele - esse tal de Fail o que é? Um restaurante, uma praça?

- Fail é uma aldeia perto de Viseu - explicou Memilia.

- E como que se escreve - quis saber o senhor Alberto.

- F-a-i-l - soletrou Memília.

- F-a-i-l? - repetiu o senhor Alberto, juntando ao assombro uma sonora gargalhada. Ora - continuou - se escreve-se F-a-i-l, então não é Fail que se diz; diz-se "Feil". Pois "Feil" fica aqui logo abaixo, depois da primeira, segunda, terceira, quarta "rutunda".

jvictor

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